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Migas... um prato de pobre

São
muitos e bons os restaurantes da freguesia da Barreira. Em muitos deles,
as migas são o prato mais requisitado pelos clientes. «Eram conhecidas
por serem um prato de pobre», lembra Manuel Poça das Neves, um conhecido
especialista leiriense em gastronomia regional. Feitas à base de couve e
de broa esfarelada, fazia parte da ementa de muitas famílias de
agricultores que «coziam a couve de corte em água e sal, às vezes
misturavam-lhe um broa, outros uns bagos de arroz, batatas, mas a
maioria das vezes acrescentava-se-lhe feijão», explica Poça das Neves, O
acompanhamento das migas consistia em iscas de bacalhau, petingas ou
carapaus enjoados, agora famosos para os lados da Nazaré.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mudou o tipo de couve, mudaram
os acompanhamentos. As migas acabaram por se transformar numa iguaria
apreciada por ricos e pobres. Na freguesia da Barreira (um pouco à
semelhança do que acontece em muitos outros lugares) é um prato muito
procurado, mas os acompanhamentos são diferentes. O bacalhau
Mudam-se
os tempos, mudam-se as vontades, mudou o tipo de couve, mudaram os
acompanhamentos. As migas acabaram por se transformar numa iguaria
apreciada por ricos e pobres.
Na
freguesia da Barreira (um pouco à semelhança do que acontece em muitos
outros lugares) é um prato muito procurado, mas os acompanhamentos são
diferentes. O bacalhau continua a fazer «companhia» às famosas couves,
mas desta vez é assado. A carne, «que dantes era muito rara nas famílias
mais pobres», relembra Manuel Poça das Neves, é hoje um dos
acompanhamentos das migas, sobretudo os grelhados, muito frequentes nos
restaurantes da freguesia da Barreira. A couve também já não é a mesma.
Da couve de corte, passou-se a usar couve de horto, a mesma que é
utilizada no caldo verde.
A
confecção das migas vai variando de restaurante para restaurante. Poças
das Neves explica que «alguns esfarelam a broa durante a cozedura,
outros depois, mas o segredo está na pureza da broa. O ideal é que seja
broa de milho». A acrescentar a isto há ainda o facto de agora haver
migas que não são feitas com couve, mas sim com nabos. Depois disto, só
apetece dizer.., bom apetite.
Vamos comer à Barreira
Comer e beber bem. Leia-se qualidade.
Este é o intuito de muitos dos forasteiros que visitam a Barreira. A
quantidade e qualidade dos seus restaurantes tornam a gastronomia local
num dos maiores ex-libris da freguesia. São inúmeras as opções,
destacando-se alguns já pela sua tradição.
Para quem vem de Leiria, o restaurante e casa de pasto «O Telheiro» dá
as boas-vindas. Situando-se bem próximo de Leiria, o seu placard,
junto à estrada, facilmente comunica as especialidades da casa: os
grelhados e a chanfana. Qualidade e bem servir são timbre deste
restaurante. |
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Ainda no lugar do Telheiro e na mesma estrada, mais adiante, «O Carloto»
surge como um dos mais afamados de toda a região e conta já quatro
décadas ao serviço da gastronomia. A tradição da matança prevalece, quer
nas entradas, onde a morcela, a lentrista e o bucho são iguaria
apreciada por muitos, quer depois no prato principal. Os grelhados de
carne fazem as delícias dos bons garfos.
Mas nem só de carne vive este
restaurante. O peixe é a alternativa para quem é menos apreciador da
carne. Para sobremesa o arroz doce, o pudim caseiro ou a maçã assada
aumentam as calorias, mas pagam o mal que fazem pelo bem que sabem, O
preço médio por refeição ronda os nove euros. |
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| Na Mourã, o «Selva do Lena» acolhe quem
se propuser a dar um salto a este carismático e bucólico lugar da
freguesia. Ali instalado há 23 anos, este restaurante aposta nos peixes
frescos grelhados, na massa de robalo e no cabrito à Selva. O bife à
casa e o arroz de pato são outras sugestões, tal como o doce da casa e a
mousse de chocolate, nas sobremesas. Aqui, uma refeição ronda os 12,5
euros. O estabelecimento dispõe ainda de um salão para festas
(casamentos, baptizados e grupos), uma esplanada para 70 pessoas, zona
de barbecue e piscina. |
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| Na Barreira, o Ti Miga é um dos
históricos da freguesia. O nome do restaurante levanta desde logo o véu
para a especialidade da casa: as migas. Nasceu há quinze anos e hoje é
muito procurado pelo seu bacalhau com migas. Junta-se a esta
especialidade a batata a murro e a costeleta de vaca, O preço médio
ronda os nove euros. |
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| Na mesma zona, está localizado o
restaurante mais antigo da freguesia da Barreira, O Jota está quase a
«soprar» 61 anos e foi fundado por João Quinta Bernardes que continua de
pedra e cal à frente deste restaurante. O toucinho, a morcela, o
presunto e o queijo fazem as honras da casa. As migas, como não podia
deixar de ser, são o prato de eleição da casa que acompanham com a febra
ou em alternativa com o bacalhau assado. Costeletas, cabrito e cozido à
portuguesa são outros dos pratos que se podem encontrar no Jota. Para os
mais gulosos, o doce da casa e de amêndoa. Falta referir o bom vinho da
casa, produzido pelo próprio restaurante. Já sabe, comer bem é o que
importa, o Jota não gosta de deixar créditos por mãos alheias.
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| Mas, é nos Andreus que recai a maior
popularidade dos destinos gastronómicos da freguesia, muito por culpa de
«Os Abóboras» e do «Muralhas». Quanto ao primeiro, o mais antigo, foi
inaugurado no dia 29 de Julho de 1995. Com um preço médio por pessoa de
12 euros, o robalo (massa e ensopado) e a cabeça de peixe são as
sugestões, do seu proprietário, para o primeiro prato. Nas carnes, a
presa de porco preto e a picanha são cabeças-de-cartaz obrigatórios de
«Os Abóboras». Para os mais gulosos, o pudim de abóbora delicia os
paladares mais exigentes. |
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| Por fim, na Lareira do Galego, os pratos
já não são os mesmos que deram o nome ao restaurante. Chama-se assim,
porque quando abriu com a primeira gerência, a paella era a
especialidade da casa, para além do que o restaurante está situado no
Casal do Galego. Agora, os grelhados fazem parte da ementa principal.
Mais uma vez a lentrisca e a morcela a abrir o apetite, seguindo-se os
grelhados de carne, o bacalhau à casa e as tiras de vaca. Para fechar em
beleza o doce da casa, de bolacha ou de amêndoa confirmam o ditado que
diz que «o que é doce, nunca amargou». O preço da refeição varia. Ao
almoço ronda os 6, 25 euros, ao jantar os oito euros. Muitas e boas
opções numa freguesia que oferece a quem a visita pratos típicos que
relembram o sabor das tradições. |
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